quinta-feira, 17 de maio de 2012

O paradoxo da miséria.


O Brasil é o mais rico entre os países com maior número de pessoas miseráveis. Isso torna inexplicável a pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros, mas mostra que o problema pode ser atacado com sucesso.
 No dia 11 de dezembro do ano passado, a médica Iara Vianna da Silva esteve no barraco onde mora o pequeno Mateus Barbosa de Souza, em Itinga, Minas Gerais. O garoto vive com o pai, a mãe e três irmãos no bairro mais pobre da cidade, localizada no paupérrimo Vale do Jequitinhonha. 
Aos 3 anos e meio, Mateus é vítima de um tipo de desnutrição conhecida como kwashiorkor palavra importada da África, onde a doença foi descrita pela primeira vez no início do século passado. 
De tão prevalente na África, kwashiorkor tem definições em vários dialetos tribais. 
Num deles, falado em Gana, a palavra designa originalmente a criança que não pode ser alimentada pelo leite materno. 
Mateus tem a altura de um garoto de 1 ano e 7 meses e o peso de um bebê de apenas 8 meses. 
A doença atinge crianças que, privadas da proteína encontrada no leite materno, num primeiro momento, e mais tarde na carne, se alimentam basicamente de carboidratos. 
Numa etapa inicial, o mal produz fadiga, irritabilidade e letargia. 
O quadro inclui diarreia, anemia e retardamento motor. Mateus, por exemplo, não anda. 
Não tratada, a doença evolui, a imunidade do paciente cai e o corpo incha. Aparentemente ele está apenas gordinho. 
É nessa fase que se encontra Mateus. 
Nos casos mais graves, podem ocorrer deficiência mental e morte. Mesmo tratada, a criança que teve kwashiorkor dificilmente atinge altura e peso normais. 
Acostumada a diagnosticar casos de desnutrição, a médica entregou à mãe do garoto uma receita com o seguinte teor: “Mateus B. Souza - Ao Serviço Social: Criança desnutrida. Kwashiorkor. 
Cesta básica. Precisa comida. Vai morrer. Não anda. Se pegar infecção, morre”.
A doença de Mateus não é apenas um drama familiar, mas o retrato de uma tragédia nacional: a miséria. 
O Brasil passou por uma transformação admirável nos últimos 25 anos. Comparado a 1977, quando se analisam alguns indicadores nem parece que se trata do mesmo país. 
Nesse período, o produto interno bruto aumentou 85%, o número de domicílios com televisão subiu 150%, o total de residências com telefone triplicou e a frota de veículos mais do que triplicou. 
Infelizmente, a taxa de miséria permaneceu praticamente inalterada e doenças decorrentes da pobreza extrema, como a de Mateus, repetem-se aos milhares.
Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os miseráveis representavam, 25 anos atrás, alguma coisa em tomo de 17% da população. 
O índice mais recente divulgado pelo mesmo instituto informa que a taxa de miséria está em 14,5%. 
Trata-se de uma queda muito pequena diante do amadurecimento social, econômico e político registrado no período. 
Queda proporcional, diga-se, pois em números absolutos o número de desamparados, incapazes de sair de sua situação sem ajuda, aumentou. 
Eram 18 milhões há um quarto de século. São cerca de 23 milhões hoje.

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"Assisto" a miséria no Brasil desde de 1940 e posso afirmar que "nunca houve em outros tempos" tanta miséria como eu assisti em estados ricos como o Paraná, o celeiro do Brasil.
O que acontece, e eu vi e comi frutas da melhor qualidade que são cultivadas para exportação...
O que o Brasil exporta são frutas de boa qualidade e importa da pior qualidade...
Certa vez fiz os cálculos do percentual do preço da saca de milho vendida no campo e da 
latinha de milho que eu tinha na minha cozinha, o percentual da saca de milho até à minha cozinha foi de 2.000%
O governo precisa acabar com os atravessadores...
E nós precisamos de saber quem são os importadores...
O papel sanitário que é importado da China se vocês virem como são fabricados...
Imagine vocês; me embrulhou o estômago!!!

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